MOLDES

Nesta secção irei mostar apenas alguns moldes de algumas peças de vestuário (as mais comuns e as mais fáceis de costurar). Para mais informações sugiro que consultem o livro da Sarah Thursfield como indicado na bibliografia no ínicio do site, por favor.A coifa é reversível, por isso é feita a partir de 4 peças laterias e 2 centrais: 2 quartos de círculo para os lados da cabeça e 2 rectangulos que apertam ligeiramente ao centro na base da cabeça. Leva duas fitas nas pontas para apertar.


As bragas aqui só vão estar descritas as que são necessárias para tapar as áreas do corpo masculino que as meias calças não tapam.
No 1º caso temos um molde bastante simples de se fazer, em que se aproveita a largura do pano (1,50m) para a largura da cintura. Como as bragas levam um cordel ou fita para apertar, a cintura depois se ajusta à largura de quem usa as bragas.
No 2º caso temos um molde mais preciso. Faz-se um tubo com o pano, aproveitando-se a largura deste, costuram-se os lados abertos menos na parte da cintura, em que se introduz um cós onde se aperta o cordão, e duas zonas abaixo da cintura em que se introduz 2 godés triangulares de acordo com a largura das ancas da pessoa que vai usar as bragas.
Esta forma tubular depois se ajusta naturalmente à curvatura do corpo humano, já que não leva costuras nas virilhas.
Recomenda-se que as bragas, que vão até abaixo do joelho, levem cordões nesta zona para que não subam com o andar.


A camisa feminina. De construção bastante simples, aproveitando-se a largura do pano para a roda da camisa. As mangas são quase que rectangulares e leva dois quadrados (nesgas) na cava das mangas.


E 1º lugar o molde da camisa (e saio) até meados do século XIV. Alarga a partir do ombros, levando duas rachas, à frente e atrás, para movimento das pernas. Também poderia levar godés laterias para dar mais roda. Como dito anteriormente, a inserção duma peça quadrada na cava das mangas permite o movimento dos braços. Esta camisa (ou saio) vai diminuíndo de tamanho como dito anteriormente.
Após meados do século XIV, já vimos que a camisa fica bastante mais curta.


Neste caso temos uma saia com o dito fecho frontal, mas sem botões. O corte alarga desde os ombros, sendo colocados 4 triangulos para dar roda à saia: 2 à frente e 2 dos lados. Os godés laterias também podem descer desde a cava das mangas. Se a saia for para qualquer época depois de meados do século XIV, a cava das mangas já poderá ser redonda, se for anterior, então, leva as inserções explicadas anteriormente.
Convém relembrar que o comrpimento da saia está ligado à classe social, mas que deverá ser, no mínimo, até aos pés.



Tal como as bragas, só irei colocar alguns exemplos de calças medievais. Aqui somente as meias-calças. Sugiro que consultem o livro da Sarah Thursfield para exemplo das calças soladas.
Um dado muito importante antes de explicar os moldes: o pano (lã) das calças deve ser sempre cortado em viés, ou seja na diagonal para que haja elasticidade suficiente no pano para permitir o movimento das pernas. Para isso a medida do pano deve ser 2 X a altura da perna.
Não se recomenda, jamais, que cada meia-calça leve 2 costuras porque, assim, se perde a elasticidade que o corte em viés dá.
No 1º caso temos o exemplo clássico das meias-calças, em que a costura é na parte traseira das perna e em que na parte da frente a calça sobe em triângulo, com 2 furos para os cordéis que atam às bragas.
No 2º caso não há muitas diferenças, somente o facto das calças apertarem na anca com um rectângulo e não um triângulo. Dá-se mais pano de um dos lados, já que a costura passa para o interior da perna.
Tanto um caso como o outro, e da mesma maneira mais tarde com as calças completas, o fundo podia ter uma passadeira para colocar o pé, de modod a que as claças não subissem muito. Podia tanto ser costurado à parte como já ser parte integrante do molde. A imagem mais abaixo mostra como fica o resultado final.





O pelote é o guarda-cós mais popular dos guarda-cós medievais e o mais fácil de se fazer. Consiste em a parte frontal e traseira serem iguais, mais a introdução de 2 godés dos lados.
Aqui está representado uma forma simples de um pelote dos finais do século XIII, em que as cavas descem até às ancas.
No século anterior o pelote tinha as cavas das mangas quase até às axilas e nos meados do século XIV o pelote tinha a curvatura das cavas na parte frontal tão redonda que quase destapava as mamas por completo.
Fora este último exemplo o pelote foi sempre o vestuário de eleição de todas as classes sociais e só foi substituído em uso e fama pela cotehardie.



A cotehardie, como dito anteriormente, entra em moda nos finais do século XIV e nada mais é do que um vestido com meia manga e cujo molde é cortado em 4 partes ajustadas no corpo e com bastante roda em baixo. Pode levar um nesga comprida dos lados, como mostrado abaixo, as cavas das mangas já são arredondadas.



 Este molde representa um gibanete. O corte é como se fosse um casaco, em 4 partes e que leva um acrsecento em baixo. Tal existe para se poupar pano. A gola é ligeiramente subida. O costura das mangas é na parte traseira do braço, para aproveitar o corte para os botões (de pano). Leva ilhóses (feitos à mão e passajados com fio) em todo o comprimento e é fechado com cordel. Também há gibanetes com botões, mas o método mais comum era mesmo o 1º referido.



Esta é a forma básica para um capeirão ou chapeirão. É feito a partir de dois moldes iguais que são costurados em todas as extremidades, menos na face e à volta dos ombros. O comprimento varia, mas a maior parte dos chapeirões dá pelos ombros, alguns caindo em cima destes, outros tapando-os e pode ter a ponta do tamanho que se pretende.