ROUPA INTERIOR MASCULINA

A roupa interior constitui a 1ª camada de roupa que se veste, aquela que, obviamente, está mais junto ao corpo. Ela era feita sempre de pano branco e de linho. Talvez em países mais frios e/ou onde este tipo de fibra não crescia se usasse lã.
Em seguida iremos ver o que formava o conjunto total da roupa interior.

Camisa
Para os homens a camisa já era diferente, mas serve, igualmente, para tapar o corpo antes das restantes camadas de roupa e também é feito em linho branco. Somente varia de tamanho conforme os séculos:
  1. no século XII até meados do século XIII temos uma camisa quase do mesmo comprimento que as das mulheres (imaginem D. Afonso Henriques com suas vestes compridas) com um corte à frente e atrás para permitir a abertura das pernas para montar a cavalo,
  2. no século XIII para XIV a camisa já só vem até ao meio da coxa, igualmente com as aberturas atrás descritas
  3. e dos meados do século XIV para o século XV a camisa já só vem até às ancas (como ainda se viu no Renascimento).
(ver página dos moldes)


Biblia de Maciejowski, Paris, 1250, José a ser lançado ao poço. José enverga uma camisa que não se vê por completo, mas assumimos que seja longa comparando-a às túnicas dos seus irmãos.
Para exemplo de uma camisa do século XV vêr imagem abaixo de camponeses a malhar a cevada.

Coifa
Servia para tapar a cabeça, era feita em linho branco e era reversível, ou seja, tinha duas camadas e quando a exterior estava sujo podia-se virar ao contrário e expor a outra camada mais limpa. Usada debaixo de chapéus, era a peça de vestuário “unisexo” da época. Também era usada quando se ia dormir. No caso das damas da corte, preferiam usar véus em vez de coifas, mas nunca passou de moda.
(ver página dos moldes)

Homens trabalhando no campo, Biblia de Maciejowski, Paris, 1250. Aqui vêm-se as coifas nas cabeças e as bragas compridas ao qual se prendem as calças.

Bragas
Hoje em dia conhecidas como ceroulas, também eram feitas de linho branco.
No caso das mulheres, não se sabe que tipo de bragas usavam, se é que usavam bragas.
Esta idumentária sofreu algumas alterações no último século e meio da Idade Média e passaram de longas (até abaixo do joelho) para uma versão muito mais curta, semelhante a uma cueca actual. Esta evolução é fácil de se explicar, já que está intimamente ligada à evolução das calças, que dantes eram apenas duas pernas e no final da Idade Média passaram a ser fechadas (ver capítulo “Cós” Masculino).
(ver página dos moldes)


A cevada, Tacuinum Sanitatis, 1385. Homem malhando a cevada em bragas e camisa curta do século XIV.

Meias e jarreteiras
Para tapar as pernas e as proteger do frio, eram usadas principalmente pelas mulheres. Usavam-se meias que vinham até à coxa, um pouco acima do joelho, e que depois eram presas por jarreteiras (ligas) abaixo do joelho, entre este e a barriga da perna. Eram feitas em lã em diversas cores, a gosto pessoal, muitas vezes até em cores contrastantes com a roupa para chamar a atenção. E para que tivessem a elasticidade e tivessem o formato arredondado da perna, o tecido era cortado em “viés”, ou seja, o tecido era cortado diagonalmente em relação à teia e trama.
Também eram usados pelos homens ligados à religião, que por usarem vestes longas tinham peças de roupa interior similar à das mulheres.
Para os homens havia a opção das calças serem um misto de meias, ou seja, a calça envolvia o pé igualmente e em vez de sapato usavam apenas uma sola de couro.
As jarreteiras são aquilo que nós hoje conhecemos como ligas e serviam para prender as meias, ou no caso do homens, para prender as calças de modo a que estas não escorregassem muito pela perna abaixo. Eram tiras feitas de tecido, lã ou couro.

Les Très Riches Heures du Duc de Berry, séc. XV, mês de Setembro
Em baixo, à direita, vê-se homem debruçado usando bragas curtas e com as calças descidas e presas por jarreteiras.